A confiança é mãe da dúvida, e a desconfiança filha da traição.
- Andressa Melo
- 10 de dez. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2022
“E os motivos não couberam em mim, então compartilhei com alguém que confiava, e os sonhos não couberam em mim, então também compartilhei com alguém de confiança, depositei um saldo na conta daquele que chamei de confidente, e quando o saldo zerou, entendi que segredos entre duas pessoas não são segredos, significa informação compartilhada com uma quantidade inferior de pessoas, e sonhos secretos, se compartilhados já não são secretos, são sonhos que podem ganhar um novo autor. Todo saldo acaba, e os segredos não possuem segurança alguma quando não se tem mais valor”
No post de hoje vamos falar de confiança.
O que ela significa, porque utilizamos a emoção para confiar, e porque depositamos confiança em pessoas [...]
A confiança se refere ao íntimo, a familiaridade, ao igual para igual, ao nu do ser.
A troca de informação com desconhecidos gera o conhecimento do outro, a aproximação desenvolve um entrosamento, que leva a uma familiaridade e pode se aproximar da intimidade.
Deveria ocorrer nessa ordem, mas, estamos no século mais carente da história dos séculos. Aplicativos de relacionamento, onde ninguém se conhece, é razão suficiente para confiar um encontro com um desconhecido por exemplo. Confiamos no que alguém nos diz com uma facilidade que me assusta. E acredito que essa carência de vida, está na falta do que se vive e no excesso que descrevemos o que estamos vivendo.
Depositamos confiança na mesa de um bar, porque as coisas pesam, o mundo é injusto e todo mundo é mau, e ali na mesa do bar, se torna um lugar altruísta e perigoso. Um tempo onde você acredita que relaxar é essencial, e que confiar nas pessoas que estão contigo é normal. Num momento onde você abre a essência dos seus maiores segredos, e finaliza com uma frase famosa, e oposta ao significado: “Não espalha, é segredo. Confio em vocês”.
O excesso de confiança assusta, a quantidade de pessoas que são “confiáveis” assusta, a fraqueza assusta, a mentira assusta, a carência assusta, e a liberdade de escolha, quando não sabemos escolher, assusta.
Temos a necessidade de nos comunicar da nossa maneira. Uns falam muito, outros nem tanto, uns são rodeados de amigos e confiam em geral, outros falam com todos e desconfiam de qualquer um. Somos variáveis. E precisamos nos comunicar para viver em sociedade.
Mas te pergunto, será que nós sabemos nos comunicar e interpretar o outro, ou estamos desesperados por afeto e qualquer um que nos escute? (dilema).
Não é vergonhoso essa carência toda, é como disse, é um mau do século. Não meu, ou seu, nosso. Estamos carentes de nós mesmos, desconfiamos de nossos limites e capacidades, duvidamos de desafios que decidimos realizar, e ainda em algum momento, olhamos no espelho e nos sentimos decepcionados. Mas me diga com franqueza:
- Porque é fácil acreditar que o outro está te escutando, e porque o outro pode te entender melhor do que você?
Primeiro: -Você acredita que o outro está te escutando porque ainda não aprendeu a diferença entre ouvir e escutar.
Segundo: -Você precisa acreditar que o outro pode te descrever melhor do que você, porque no fundo, você se escuta e sabe bem a sua opinião sobre si, mas deseja ser bajulado pelo outro, que na maioria das vezes diz o que você quer ouvir e não o que você precisa.
É necessário quebrar os paradigmas.
Façamos o novo, primeiro confiamos no potencial que existe dentro de todos nós, depois devemos nos escutar e aprender a escutar os outros, gente que só ouve nunca se importa, acredite em mim. Nós devemos entender o significado da confiança conosco, e associar que confiar no outro é uma intimidade tão delicada como perder a virgindade. Requer certeza.
Quando entendemos o significado de confiança, dividimos com o outro nossas histórias e demonstramos um pouco de fragilidade, ficamos vulneráveis até. E ainda “confiando”, conversamos sobre o superficial do ser, porque algumas partes da nossa história são só nossas, a superficialidade de algumas partes do que somos deve prevalecer para que a “confiança” tenha longos anos de vida.
Somos instáveis como seres humanos, deveríamos evoluir como seres, mas vejo muito mais evolução tecnológica do que a humana por aqui.
Tudo é superficial, e o que era importante pra você que se escutou quando pensou e falou pensando que o outro iria escutar, se tornou superficial ao outro que só ouviu.
Não estou determinando que você deve viver à base de paranoias e desconfiar de todas as pessoas. Criei esse post para te dizer que o outro está sujeito a transformação repentina e imprevisível, estou querendo que você entenda que confiar com facilidade, é proporcionar ao outro chances de te mostrar as mil e uma maneiras de se frustrar, ficar zangado ou chateado.
Você pode ter os amigos que quiser, mas deve saber que os seus amigos são flexíveis.
Você pode acreditar no que quiser, mas deve acreditar também nas dúvidas que te possuem.
Você pode abrir a sua vida para todas as pessoas que te der vontade, mas lembre-se que, um lugar aberto onde todos entram não transmite segurança à ninguém, muito menos ao dono da casa, que no caso, você que é dono do seu ser;
Você pode tudo o que disser que pode. Mas depois da sua decisão, o que acontecer serão apenas acontecimentos. Quando me permito arriscar, preciso entender que se algo acontecer comigo, o único responsável sou eu.
Sei como é bom sentir que “pode” confiar em alguém, eu já senti isso também. Mas sei também como é ser baleada com um revólver cheio de munição que eu mesma carreguei, sei como é receber o tiro de quem carreguei a arma da confiança, sei que machuca, por incrível que pareça eu sou humana. E por sentir, não uma e nem dez vezes, mas incontáveis vezes que situações como essa me ocorreu, e situações em que também quebrei a confiança de alguém que digo à vocês...
“O confiar é um carro sem freio, quando estou no carro não sei que ele está sem freio, me divirto na viagem, até que estamos passando numa curva, e de repente percebo que o carro está sem freio. Mas só me dou conta disso depois da batida”
Nós não sabemos com quem ou quando o carro pode bater, mas precisamos esperar que a batida ocorra em algum momento, pois, segundo os inúmeros cálculos de percurso, bater é inevitável. Escolher entrar no carro, é algo que podemos pensar antes de decidir.
Não permitam que a carência consigo lhe faça acreditar que todo o mundo é bom, porque não são. As pessoas possuem maldade e bondade, como eu e você, a massa é assim. Chame como você quiser, mas a dualidade de todos é um fato. Não se deixe levar pela necessidade de ser escutado, grave um áudio e se escute depois de falar, ao menos você vai se escutar e não somente se ouvir. Não espere ser escolhido, se escolha e entenda que escolher é o ato mais próximo da confiança, depois da escolha a intimidade te faz crer que confiar é seguro. Mas te aconselho que não é. Acredite, mas não confie absolutamente em ninguém.
Se a confiança fosse uma supremacia, não existiria o que chamam de “autos sabotagem”.
A confiança é mãe da dúvida, e a desconfiança filha da traição.
O melhor pra você nenhum confidente pode te dizer, e nem você pode dizer à ninguém. Estamos num século frágil e desejamos ficar bem, e o desejo é tão grande, que devemos nos perguntar se existem limites, ou custas de alguém.
Acredite em todos, mas não confie em ninguém.
Por hoje é isso aqui, e se precisar ouvir...
- Andressa fala aqui”






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