A gente cala, mas o corpo fala...
- Andressa Melo
- 19 de jul. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2022
A gente vive no século do silêncio de tudo o que nos torna frágeis, e da voz de tudo o que nos torna fortes. Temos duas fases de uma vida, a vida que vivemos em silêncio e resolvemos em silêncio, e a vida pública que mostramos a face perfeita e a vida bela para que os outros não perguntem muito.
Fico me perguntando se você me entende ou se só eu enxergo assim.

Parecemos robôs e ganha quem mostra que consegue machucar mais o outro, ainda que esse esconda suas feridas e hematomas de alma. Este é o século 21. Tá na moda ser de aço. Ainda que pareça cruel fragmentar seu sangue com material pesado, colocamos. Talvez para não morrer com as dores que a alma sente e a gente finge que não dói na gente. Pessoas aprenderam que é menos cruel amar todo mundo do que amar uma única pessoa e sentir o mundo escoando pelas mãos quando essa pessoa amada se vai. Mas deixo claro que isso que elas sentem não é amor e sim dependência afetiva o que as deixa ainda mais perdidas sobre o amor e o ato de amar. Nós aprendemos também que todos podem nos decepcionar, e que aprender isso é uma regra de sobrevivência que todos devem saber, esperar o pior e se surpreender se o melhor vier, e se o pior surgir ninguém ficará assustado. Cruel né? -eis o caos. Tenho pra mim que o mundo líquido é adaptável a qualquer coisa e que nada é valioso, afinal, tudo escorre entre os dedos e se vai, ou deixamos escapar e não conseguimos juntar mais.
Mas sei que entre o líquido do mundo ainda existem frascos que deixam algumas coisas um pouco mais "unidas" digamos assim. Veja o reflexo da nossa luta em tentativas de não sermos mais de material humano: Temos altos números de depressivos, suicidas, ansiosos, etc.
Números esses que são demais para representarem pessoas que não estão bem, pessoas que calaram a alma, silenciaram o que sentiam, não disseram mais o que incomodavam e aprenderam a mostrar os dentes como se estivessem sorrindo, só para amenizar perguntas sem realidade de interesse na resposta. Um caos? -sim, mas as máscaras estão muito bem colocadas. Temos uma sociedade doente.
Nos calamos quando devíamos ter dito, não sabíamos como reagir e fomos as crianças que foram criadas para um mundo melhor, porém, nós nos deparamos com um mundo real que nunca nos foi apresentado na infância.
Eis o caos mais uma vez! A gente calou, mas a mente escutou e o corpo fala, grita, faz barulho para que os nossos silêncios sejam interpretados e não escondidos. Estamos no século novo, e aqui se perdeu o sentir. Nós, nos perdemos em nós mesmos e a maioria não consegue procurar uma saída no labirinto da própria vida, ou existência, digamos assim.
Esbarram com outros perdidos e se perdem juntos. E talvez ninguém saia melhor daqui, mas talvez também, alguns ajudem outros e se ajudem na tentativa de melhorar alguma coisa.
E, se você puder inventar uma saída e viver no "seu mundo" faça. O mundo já não é mais em (um todo) algo que desejamos fazer parte em semelhança. Ao meu ver, quando mais diferentes formos da maioria, melhores seremos conosco e com os que escolhemos ter ao lado.
Aprenda a falar o que sente, expressar-se sobre o que te incomoda, criar caminhos em estradas aparentemente (sem saída) dessa vida e tente fazer com que o novo mundo tenha traços seus.
Ainda que raros ou finos, sejam os seus traços, desde que eles existam tá ótimo. Algum dia alguém há de encontrar seus traços e ver alguma coisa diferente para acreditar, se inspirar ou se identificar.
Tenha amor por você, faça com que alguém que você se sente bem se sinta amado, olhe algumas paisagens que ainda te rodeiam, viva o que o mundo te diz que é bobagem e sinta você, se é ou não bobagem sentir.

Viva todos os seus dias como se fosse o último dia, e quando o último dia bater em sua porta você dirá a ele que sempre viveu como se esperasse que ele batesse, e que tudo bem, você viveu! Eu desejo à você que leu, que seja feliz. E que se em seu caminho você ainda não encontrou nada que te faça feliz, desejo que você aprenda a ser feliz com o nada. Para que dê alguma forma, você se sinta feliz ao menos um pouco e veja seu corpo reagindo à felicidade de alguma forma. Desejo que em meio a liquidez, você encontre um frasco para "juntar" os melhores líquidos e criar a essência que te pertence em diferença e raridade.
Por hoje é só isso aqui...
E se precisar ouvir?





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