A Síndrome da Cadeira Vazia
- Andressa Melo
- 16 de dez. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2022
[...] Me vi longe de mim e entendi que estava sozinha, mas a solidão dessa vez não amargava e nem ardia. A solidão me ouvia, e eu contava sobre coisas que somente ela poderia me ajudar a entender. Interpretei muito, e defini a síndrome da cadeira vazia primeiro em mim...
Hoje é sobre uma teoria que aprendi e decidi compartilhar com vocês.
A teoria da possibilidade, nela não importa onde você esteja, sempre existe alguém dentro de você, além do eu que você julga conhecer.
Essa teoria, eu descobri com a síndrome da cadeira, uma que nunca era utilizada por ninguém, mas que existia, e de tanto olhar para ela, resolvi me sentar, foi sentando numa cadeira sem "significado e importância" que conversei com a minha solidão.
A cadeira era o nada que eu realmente precisava, para compreender um pouquinho do tudo que buscava.
Nós estamos aqui e agora, sempre terá na sua mesa de jantar uma cadeira que ninguém usa, ou na sala ou até mesmo no escritório pode existir essa cadeira. Mas um fato sobre a inutilidade diária dela, é que mesmo sem uso, ela é usada para ocupar um espaço.
Se a cadeira fosse removida, o significado das coisas que cercam os cenários, também seriam alterados.
A cadeira faz parte da sala da nossa vida, e existe uma dentro de ti, disponível pra ti, é só sentar nessa cadeira que o seu (eu) reserva com um auto diálogo, e se ouvir. É só sentar e observar, olhar o que você é, e fazer perguntas que só você tem respostas, é encontrar as respostas.
Quando falam em meditação dizem que estamos nos conectando com o universo, mas quem disse que o universo não é você? Meditar é também silenciar o redor e se escutar como nunca. É acreditar que você pode ter um bom diálogo consigo. É se ouvir e entender o que você ouviu.
É tanta coisa, mas ainda sendo tanto, é sobre uma conversa na sala de estar da sua casa interior, onde uma cadeira te espera, onde não existe nada que possa te amedrontar ou te interromper além de você, onde você pode se cuidar e se entender.
Talvez meditar seja um convite, para convidar a sua matéria à se conectar ao seu inverso. Aceite o convite. Seja bem vindo à ti mesmo.
-Síndrome- é dito como um conjunto de sintomas que caracterizam um diagnóstico preciso. Por isso nomeei esse artigo assim.
Os sintomas desse diagnósticos só podem ser identificados por você, o resultado positivo é algo bom aqui nessa filosofia.
Quando descobrimos que temos uma cadeira vazia alojada dentro de nós, sentimos vontade se usá-la, essa é a proposta, e o bom, é que mesmo não sendo utilizada -antes- por muito tempo, essa cadeira sempre nos espera para conversas que precisamos ter conosco. Ela sempre está ali.
O que é uma análise precisa, se não uma observação focada nos detalhes de um problema?
Se observe, e anote coisas sobre você, se tiver vergonha (pode acontecer, é normal) coloque senha nos seus arquivos, ou escreva num caderno e tranque com chave. Depois de um tempo de escrever sobre si, olhe as suas anotações, desde a primeira até a última. Não precisa ler tudo d'uma vez. É importante que a cada leitura você escreva uma hipótese sobre suas causas e conversas. É muito bom analisar o seu próprio caso, e diagnosticar se sendo um SCV+.
Quando você reconhecer o espaço vago da sua cadeira, poderá sentar se, sempre que for preciso.
Se escutar é a arte mais refinada que conheço, se permitir é a liberdade da vida para o viver.
É sobre entender que por mais que tudo acabe, que tudo mude, que a instabilidade do monitor de vida representa a existência, tudo isso, nos leva a compreender que existir é mais do que aparecer e pertencer ao mundo, existir é a oportunidade de compreender que a vida é mais do que um limite entre -existência e extinção-.
Só é possível entender o antes e o depois, quando nos permitimos escutar o que acontece agora. E não digo escutar o que falamos, me refiro a escutar o que não costumamos dizer.
Isso é se escutar, processar o que você ouve. E essa arte, só é possível na sua cadeira.
"Ouvi um mestre me dizendo que eu devia me calar. E sempre que calada eu criava, e desenvolvia muito mais. Uma vez perguntei à ele o por que, - de me pedir pra ficar calada sempre que falava muito- ele me silenciou dizendo: -Aquele que fala mais do que o esperado é cheio de tanto que não se pode medir, mas nem todos são cheios do que carregamos em nós. Aquele que fala ao abrir a boca, também disponibiliza audição e também recebe. Só que nem sempre podemos considerar o que escutamos, e quando você fala muito, escuta muito, e tudo o que existe dentro de você se perde e se confunde. O outro se cala, as vezes refletindo sobre o que você falou, mas o que o outro te disse te faz desfocar do que você tem. Quando você aceita o que não é seu, o que é seu se perde, e nem sempre é possível encontrar de novo."
Hoje em dia, eu interpretaria o que ele disse com isso:
"Quando permito que entrem na sala íntima do meu eu, empresto a cadeira da minha vida à alguém que não conheço. Quando deixo o meu lugar ocupado demais, não tenho espaço para sentar. Não me importo em sentar no chão, mas o chão não me permite o silêncio necessário para me ouvir"
É muito bom receber visitas e debater ideias.
Trocar momentos, se relacionar, se socializar, trocar experiências. Tudo isso é importante. Porque as pessoas são importantes também, assim como você. Mas o que quero dizer com isso, é que, ceder o seu lugar ao outro não é carinho com o outro, o outro no seu lugar não se sente confortável e confiante como você se sente, o outro possui a cadeira dele e você a sua, isso é um fato.
Portanto, se quiser ajudar alguém, ajude instruindo como se localiza o espaço dentro de si, diga ao outro que você pode ajudar, mas ajude muito mais ensinando ao outro como é que ele se ajuda quando você não estiver por perto.
Seja você garoto ou garota, escuta essa dica de moda interna:
"O que você faz pelo outro te torna especial. O que você ensina ao outro te faz única (o). Se alguém aprende a fazer algo sem você, mas quando faz lembra que você ensinou o caminho, você se torna eterno em memória, ainda que a eternidade não lhe seja permitida. Ajudar é uma dádiva, ensinar é um dom".
Por hoje é isso, se permita conhecer o espaço onde sua cadeira está te esperando. Me conte se você decidiu se analisar, me contate se quiser debater ideias, mas entenda, que o caminho para dentro de você começa com o silencio que você tem a capacidade de exalar, começa com a audição aguçada para tudo aquilo que você falar.
Todas as perguntas que você não encontrou respostas, possuem respostas, ou justificativas que te faça ter tranquilidade.
Mas só é possível encontrar, se permitindo sentar, puxando a cadeira para si.
Bate um papo contigo meu anjo, se escute e se conte. Se encontre e se descubra.
E se precisar ouvir...
Andressa Fala Aqui"
;)
Fonte da imagem: tumblr_o20bvlXnKG1r4fadho1_500.jpg (500×749)







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