De nova York ao Havaí, num único lugar!
- Andressa Melo
- 21 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2022
Temos tantos “eus”, que já me peguei tentando argumentar uma confusão que acontecia dentro de mim, onde todos gritavam, um em específico falava baixinho, (justo o que tinha noção), e mesmo o ouvindo, eu o ignorava.
Um “eu” era da razão (alguns chamam de ego), o outro da emoção, o outro era observador e não falava alto o suficiente para colocar respeito na mente, e assim começou a pausa, para a identificação dos “eus”, e as válvulas de descarga aos que não poderiam permanecer.
“O que escondo de mim, quando me enxergo e me assusto, com o que vejo de olhos fechados?”
... foi exatamente o que me perguntei antes de escrever esse artigo, e tomei coragem para escrever, porque se eu aguardasse minha resposta para produzir, poderia perder o foco. Na maioria das vezes conseguia segurar a emoção demais, ou a razão demais, porém nunca em equilíbrio. Em uma onda de surto pela astrologia, coloquei a desculpa da bipolaridade ou personalidade indefinida, no signo, -é que sou de libra com ascendente em gêmeos-, isso somente retardou o processo. Tudo bem brincar com a astrologia e acreditar em alguns pontos do universo, (eu realmente não importo se você acredita) mas no momento em que minha liberdade emocional, estava dependendo da astrologia, abri a boca e a mente, e sussurrei para dentro de mim: - não acredito mais.
Somos seres racionais, sabemos que somos racionais, e ainda assim temos problemas para racionalizar, então, até onde entendemos, que perguntar sobre o que se pensa, e por que, é racional?
Muitas vezes, li algo que dizia o seguinte “antes de agir, respira” porque quando respiramos, conseguimos pensar melhor, agora me pergunta se na hora que eu deveria pensar dessa forma, eu conseguia? Não, eu não conseguia. O id desconsiderava o sinal amarelo, acelerava e causava um acidente enorme, onde a única que se machucava (mesmo estando ilesa) era eu.
O cérebro humano me excita mais do que qualquer coisa, e o meu cérebro é um território completamente amplo, e completamente desconhecido, o que me excita também, pois encontrar o ponto (g) de uma psiquê, é um desafio, e eu amo desafios.
- Deve ser a adrenalina- estou comigo mesma há 24 anos, e agora que realmente me dei a oportunidade de me autoanalisar.
Não sou uma especialista, mas Freud, Platão, Shakespeare, Einstein... quando começaram, eram apenas eles, escreveram o que eram, e eles me deixam completamente... sem medo, ou com coragem suficiente para enfrentar o medo da possível (vergonha).
A psique de alguém que vê o mundo de duas polaridades extremas é um céu e um inferno, (comparando o bom e o ruim). Não é como mudar de opinião do nada, não é como controlar o que sou, mas o problema da dualidade, é que nela, é necessário controlar não uma pessoa, mas duas pessoas, num único ser. Se um ser, tem diversos “eus” que precisam de controle, quantos “eus” possuem quem convive com a dualidade? (freud deveria explicar) [...]
Não tenho o direito de me declarar bipolar aqui, pois não estou com um diploma de psicóloga, psicanalista e psiquiatra, que me conceda um diagnóstico tão preciso, mas como uma mente que consegue se enxergar, além daquilo que se pode ver, sei que o mapa do meu inconsciente tem a possibilidade de ser menos oculto, do que o da minha personalidade indefinida e oscilante, que me expõe.
“Penso, repenso, me calo e hoje consigo controlar as lágrimas que antes eu não conseguia. Penso, repenso, olho e penso novamente, em fração de segundos, antes de explodir com as pessoas. Penso, repenso, e me sinto extremamente pressionada quando me exigem o máximo e me entregam o mínimo, e me controlo com algumas manias particulares que aderi. Penso, repenso, e hoje na maioria das vezes prefiro ficar calada.
A palavra não volta, e meus impulsos são assustadores. As palavras as vezes me cortam, mas sei lidar com minhas dores. As palavras são uma ponte de conversação, o elo, que me conecta. Depois de processar o que preciso, consigo me ver, me encarar e me parabenizar pelo que sou. Só me vejo de olhos fechados”
, e não espero que o mundo me entenda, mas acredito que não sou a única que se sente assim, e aos que se acham tão diferentes do mundo, agradeça, perceber que algo precisa ser visto em você além do seu reflexo no espelho, é um privilégio de poucos. Ainda que as vezes eu sinta vontade de acelerar, repito comigo o mantra do “pensa-pensa-pensa” seguido de três piscadas, me ajuda bem mais do que a frase motivacional, e talvez seja isso, o meu cérebro existe para criar, e só obedeça a comandos próprios.
Uma parte de mim grita, e outra se esforça para controla lá, uma parte de mim diz (ok), porque a outra fala tanto, que levaria uma discussão até a morte, uma parte de mim prefere a solitude, porque a outra parte tenta aprender diariamente a ser uma companhia melhor e mimar o contexto como ninguém seria capaz.
Calo em mim, tudo que o mundo não precisa ouvir, mas não permito que o mundo me dite o que é certo fazendo errado, criei o hábito de questionar quem tenta me sugerir coisas que não conhece, e exponho quem tenta ser exemplo em qualquer ângulo da minha vida, sem me apresentar obras criativas daquilo que diz ser.
Eu, Andressa Melo... diretamente de fragmentos colados.






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