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Perdas sem percas [...]

Atualizado: 2 de dez. de 2022








Deve se dar o interpretar do título como um -perder tudo, menos à si- pode ser que seja isso, coloquei a primeira coisa que me veio a mente. Estejam a vontades para entender e me explicar, minha função é só escrever aqui.


Veja nós, -mortais, humanos, estúpidos, cruéis, injustiçados- mas terrivelmente frágeis.


Temos a síndrome do aço. Amassamos o que sentimos e comprimimos no nosso interior, mas isso não significa que não exista mais quantidade do que aquilo que demonstramos.

Quer saber? Nós crescemos em demasia no tamanho, mas não somos capazes de desenvolver maturidade suficiente para reconhecer nossas fragilidades em público sem sentir vergonha.


Temos crianças internas, e cuidar delas é amor, porque cuidando do que temos de mais frágil, nos tornamos corajosos e menos dependentes.


A nossa vida é feita de perdas.

Desde o cordão umbilical até os laços de cabelo que caem sem percebemos, e as despedidas que participamos sem nos dar conta, de que estávamos numa despedida.


A vida nos empresta, ela nunca deixa que nada nos pertença "para sempre" e não por crueldade, mas porque até mesmo ela, tem prazo de validade e um dia a perderemos também.


No post de hoje, peguem como der vontade, mas me ouçam, porque cada detalhe que existe aqui, pode fazer com que você vá além dos detalhes de tudo.


Quem aqui nunca perdeu uma melhor amiga, um namorado que declarou como amor da vida, um parente querido, um amor platônico, um brinquedo que gostava, um hobbie que amava, um detalhe de "ser"... perdemos mais do que conseguimos procurar.


E o duro da perda, não é perder.

É tentar encontrar e não saber como.

O duro da perda é encontrar força para superá-la, sem danificar uma nova versão sua que vai surgir.

O duro da perda é querer de volta o que se perdeu.

O duro da perda, é deixar de ser o papel na vida de alguém que já não existe mais.


Nos declaramos independentes, maduros, donos de verdades absolutas.

Mas todos nós sentimos vontade de receber o amor de graça e o carinho de boa vontade. Mas não admitiríamos isso nem mesmo se um penhasco estivesse a nossa frente.


"Somos tão corajosos em sermos covardes, somos tão covardes em declarar que a dor machuca e que nunca estaremos prontos para perder. Somos em secreto, inocentes que esperam que a mãe apague a luz do quarto antes de dormir"


Perdemos o medo de coisas que nos assustam com o tempo, e sentimos medos de coisas que nos apavoram, coisas que escodemos no mais íntimo do nosso ser.

Perdemos a coragem no amor, perdemos a vontade de amar, perdemos o hábito de entregar gentileza.

A coragem de amar, perdemos, por perder amor demais.

A vontade de amar, perdemos, por termos perdido a confiança.

O hábito de entregar gentileza, perdemos, por perder abraços e receber soco.


Já perdemos tanto, e se não perdermos, perderemos o significado da vida.

Já não seremos mais nada, nem pó, nem cinza.

Nem alma e nem ser, não seremos a destruição ou criação.

Se perdermos a sensibilidade e o medo das percas. Nós não seremos nada.

E o vago, dá lugar ao novo, e ninguém é capaz de dizer se o novo será melhor ou pior, pois o novo ainda não é conhecido.


Perdi o alicerce que me equilibrava, caí quebrei e me distribui.

Tentaram remendar os pedaços dos meus destroços, mas a cola foi fraca comparada ao meu caos. Todos os pedaços fragmentados se misturaram e me fizeram cega, num mundo que antes eu conseguia ver. Perdi o medo de viver, e o medo de morrer, perdi o respeito por mim, perdi tudo que eu poderia perder. Além da perca me perdi.


"Me vi perdendo tudo, e não queria perder.

Mas perdi o meu alicerce, e nem mesmo a minha vontade predominaria em mim.

Fiquei como um dado, que quando jogado pra cima, está sujeito à um lado, tive vários lados e odiei quase todos, até que me perdi de mim mesma tentando encontrar o equilíbrio que me fazia sentir medo de alguma coisa e respeito por mim mesma"


Ter algo à perder é motivo de orgulho, não ter nada à perder, pode ser um desastre.

Quem nada tem esquece como é ter.

Quem se desequilibra não se lembra como é que se viver equilibrado.

Quem perde a base, perde qualquer coisa sem se importar com nada.

Quem tenta encontrar algo que não pode mais ser encontrado, se perde de si, e do mundo.


Que eu perca a vontade de criar raízes.

Que tu perca o desejo de criar nó em laços.

Que eu perca o coração de amor por ai.

Que tu perca o medo de amar.

Que eu perca saudade e falta.

Que tu perca a solidão que te abraça.

Que eu perca o juízo com uma filosofia insana

Que tu perca a paciência tentando compreender minha filosofia.

Que percamos uns aos outros, mas que não nos percamos de nós.

Que percamos nossas bagagens de culpa.

Que percamos nossa mala de arrependimento.

Que eu, tu, e os tantos que já perderam... possamos adquirir coisas novas para perder com um pouco mais de tempo vivo.


Perder; a estrada principal da vida. Com uma bifurcação entre continuar, lamentar e desistir.

Continuar, é o caminho que sempre se faz novo.

Lamentar, é o caminho que sempre se faz barro com o choro da alma ou dos olhos, é o caminho que suja.

Desistir não é caminho. É ponto final no texto da vida. Desistir é perca de vida, e continuar se lamentando também é perca de vida.


Um dia não nos reconheceremos mais, e nossos ancestrais pensaram o mesmo.

Hoje não saberíamos a olho nu, diferenciar Sócrates de Nietsche, se os víssemos em ossos.

Até mesmo a facilidade de reconhecimento com o que nos parecemos, nós iremos perder.


Então, enquanto o carro da vida está correndo te aconselho a observar a paisagem, as coisas eternas só são eternas dentro daquilo que podemos imaginar. A eternidade é um tempo maior de fim, porque tudo acaba, e nada dura para sempre.

Sinta o ar, porque ele se perde.

Sinta o amor porque ele tem metamorfose.

Sinta o calor do momento, porque o fogo se esvai.

Sinta por completo e aproveite o que estiver sentindo.


Porque perder é inevitável. Mas ter o máximo de recordações do que foi vivido, faz com que a perca tenha um significado de saudade e bons momentos.


"Lembrar de algo bom que nunca mais vai acontecer é maçante. Sentir o peso do pé da saudade no peito machuca. Levar um tapa do vazio faz eco. Recordar uma flor de primavera numa cidade em que a primavera não existe mais é triste. Mas pior do que perder, é ter medo de perder e não aproveitar os momentos disponíveis"


Amei com a minha melhor face e senti transbordando o meu coração. Mas de repente me desequilibrei e cai, me despedacei quando percebi que a bicicleta estava sem freio.

Bati com a cara na realidade, e além da base que havia perdido, arrisquei perder todo o resto da estrada.


Perdi tudo. E ainda o tudo que perdi não se iguala ao que perdi primeiro.


Perdas e percas; A via de mão dupla que me permite sentir tanto e tudo, que não podemos declarar que morreremos sem nada, ou que morreremos sem nós mesmos.

Porque que tudo se perde é fato, mas perder-se de si assusta.




Por hoje é só isso, espero que vocês se leiam...

E se precisar ouvir?


-Andressa Fala Aqui"

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