Quem decidiu o que você lida, você ou um dos s'eus fora de controle?
- Andressa Melo
- 13 de jan. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2022
Belo dia brasileiros cansados, no primeiro post do ano vamos falar sobre um assunto maravilhoso; as complexidades dos nossos eus e o tanto de gente que temos dentro da gente. Quem me ajudou na construção desse post foi o livro: Em busca do ser- G.I Gurdjieff.
O que fazemos à partir do que foi feito é o que vai determinar nosso próximo sucesso ou fracasso.
Parece frase de efeito, mas experimenta chorar sobre um fracasso e desistir ou chorar sobre um fracasso, secar as lágrimas e procurar uma forma diferente de fazer aquilo que você tentou e não deu certo.
(Se ambas escolhas trouxerem o mesmo resultado eu me chamarei Filomena)

Acontecem coisas a todo momento, e apesar de sermos representante de nossa totalidade de “eus” temos muitos “eus” internos. E nem sempre sabemos como controlar isso tudo. Se não soubermos sobre nós, seremos escravos da nossa ignorância.
Veja o caso abaixo:
Mariana é uma jovem de 27 anos, tem um cachorro que está muito doente, ela já gastou com todo tipo de tratamento possível, toda noite antes de dormir sofre sentada no sofá da sala onde passou bons momentos com seu amigo fiel. O cachorro o acompanha desde os seus 15 anos, já está bem velhinho. Ela já não sabe mais o que fazer, e ao mesmo tempo entende o que está acontecendo. Acaba dormindo no sofá e sonha com seu amigo fiel. Ela acorda com uma esperança de que ao chegar no veterinário receberá a notícia de um milagre. Mas, ao chegar na clínica, Mariana recebe a notícia de que seu cachorro não tem cura e a idade avançada não ajuda muito. Ela se frustra apesar de ter consciência da realidade. O médico veterinário oferece à ela a opção de sacrificar o animal que esta sofrendo com tantas tentativas sem sucesso, e que postergar uma decisão não mudará em nada a solução para o problema. Nesse momento, no interior de Mariana acontece uma guerra.
Veja que...
Um “eu” de Mariana pensa que o cachorro pode ficar bem com um milagre. Um “eu” sabe que o cachorro está velhinho e não tem a mesma resistência para aguentar muita coisa. Outro “eu” sofre muito ao sentir à ausência do amigo. Outro “eu” procura lembranças vivas para sentir a sensação de um tempo em que tudo estava bem. Um outro diz que o cachorro já não existe mais e ela sofre um luto antecipado. Outro “eu” precisa decidir se vai sacrificar o cachorro para acabar com seu sofrimento ou se vai deixar com que ele morra naturalmente e sofra até a morte.
Detalhe: (nesse contexto todo, existe um outro “eu” que está julgando qualquer decisão de Mariana.)
1- Se ela sacrificar o cachorro, ela não o amava o suficiente. Pois quem ama não sacrifica um amor.
2- Se ela não sacrificar o cachorro, pode se considerar egoísta por preferir ver o animal sofrer mas ter a sensação de que ele ainda esta vivo e com ela.
Quero dizer com isso, que qualquer escolha da nossa vida será julgada por nós mesmos antes dos outros. E também pelos outros depois de nós mesmos. Mas isso não é tão cruel como o fato de não nos conhecermos o suficiente para sermos os responsáveis por nossas escolhas e o controlador de nossas reações à partir das nossas escolhas.
Saiba que somos conduzidos por:
1- Pensamentos
2- Sentimentos
3- Movimentos
4- Instintos

Imagine que são “mentes” dentro da mente. E que lidamos com isso diariamente.
Nossos pensamentos nos orientam por várias vias, nossos sentimentos algumas vezes nos fazem chegar a destinos que o pensamentos não haviam calculado a rota ainda.
Os movimentos externos nos fazem acelerar e os internos nos fazem (devanear) ou imaginar demais ao ponto de “panikar”.
Nossos instintos nos mantém funcionando. A diferença de instinto para movimento, é que movimento aprendemos e instinto acontece mesmo sem ser ensinado.
Mas veja, o quão complexo é nosso todo . Vários eus tomam decisões individuais e o TODO representando o coletivo e sendo o responsável por decisões que foram influenciadas por momentos que, às vezes, já nem fazem mais sentido após o momento ter passado.
Existem momentos da nossa vida que não representam mais nada sobre nós. Isso porque nossos eus podem amadurecer, evoluir e sofrer alterações com base nas experiências de vida.
Cada eu é um eu, e o todo é responsável por tudo.
Quando o todo aprende a colocar rédeas no coletivo, tudo o que acontecer dentro, passa por uma tela ultra fina, antes de sair pra fora e se materializar na realidade.
Só podemos controlar nossos eus conhecendo à nós mesmos.
Gurdjieff, diz em seu livro em busca do ser: “a escravidão interior é a ignorância”
Se não conhecermos quem somos e o que acontece no nosso interior como poderemos conhecer bem alguma coisa ou controlar bem alguma situação?
“à fim de sermos responsáveis, precisamos adquirir a liberdade interior” Gurdjieff-
Saiba que todos nós faremos escolhas à partir de circunstâncias das quais não temos experiências. Iremos errar e acertar, e podemos escolher novamente sobre nossa primeira escolha. Isso é uma dádiva!
Nossa ação sobre o sucesso e o fracasso determina a nossa próxima fase. O fato é um fato e devemos lidar com esse. Mas não devemos parar por nos decepcionamos com nossas escolhas. Tudo sempre estará mudando.
Lembre-se que o que chamamos de experiência nada mais é do que uma bagagem de erros que nos ensinaram muito.
Digamos que você fosse Mariana, a garota do inicio desse texto, o que você faria com o seu cachorro?
R: _________________________
Lembre-se também, que não temos como sentir o que o outro sente ou sentiu à partir de relatos. Só podemos sentir através da experiência real. E cada coisa é uma coisa para cada um de nós justamente por isso.
Nos parecemos uns com os outros em espécies, mas a construção do nosso todo é muito singular. E decidimos muito à partir dessa construção.
Se você já passou por uma situação parecida com a garota que exemplifiquei aqui, você terá uma opinião. Se você se basear na imaginação, terá outra opinião. Mas a decisão de Mariana não pode ser determinada como certa ou errada. E sim como a decisão que pra ela naquele momento fez sentido, e que ao mesmo tempo não ocasionou mal à outro. E se você me questionar sobre a morte do cachorro não ser um mal, irei te refutar com a seguinte pergunta:
Se você fosse o cachorro ao invés de Mariana, você optaria por sobreviver sofrendo ou por antecipar o inevitável?
R: ___________________________
Essa pergunta não terá uma resposta certa ou errada. Mas a sua resposta sobre isso dirá muito sobre a sua visão diante da vida, e os seus eus te dirão muito sobre a amplitude da possibilidade de escolha e as consequências dessas.
Afinal, até aqui quanto você pensou, sentiu, movimentou-se ou foi instintivo?
E se você fosse Mariana...
E se você fosse o cachorro...
E você sendo você, quem é você?
Não responda pra mim, se escute responder à si mesmo.
Por hoje é isso aqui, e se precisar ouvir...
- Andressa Fala Aqui
@afragmentada_





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