Quem é que diz (o quê) sem dizer junto disso o que outra pessoa pensou ou disse...
- Andressa Melo
- 9 de mai. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de mai. de 2023
Olá brasileiros cansados, o post de hoje é cruel, injusto e profundo. Desconexo do que eu gostaria de dizer e conectado com a maioria de vocês, tenho 87% de chance de ter razão.
Pensa comigo desde a hora que você levanta até a hora que você vai dormir, agora tente se lembrar o que acontece como hábito, como compromisso e como vida experimentada durante o seu dia [...]
No último post falei sobre a manutenção das coisas e a construção das mesmas. Hoje vamos falar sobre a vida que acontece com a gente e a gente que acontece com a vida.
Será que estamos em maioria sentindo o que estamos fazendo?
Ou será que estamos executando tarefas, ouvindo a maioria das pessoas e não escutando quase ninguém;
Será que estamos permitindo que aquilo que sentimos se conecte com o que nos desperta sentimentos ou estamos lutando contra nós mesmos para não arriscar a estabilidade temporária de nossas versões?
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Não existe uma verdade absoluta por aqui.
Cada pensamento é uma existência individual.
Desde que o Romantismo surgiu como movimento cultural o ser humano passou a ser visto como emotivo e sensível, mas antes disso, na época do classicismo e racionalismo, tinham uma concepção do ser humano como equilibrado, moralista e com a razão como base de ser. Se somamos os dois movimentos temos o resultado do que pode ser, um ser humano no todo.
Acredito que mesmo com a finitude de todo ser, cada ser, tem infinitas possibilidades para ser, enquanto está existindo.
Somos a soma de tudo o que nos atinge, somos atingidos desde que nascemos, não acredito que nosso destino é definido pelo horizonte que nossos olhos enxergam, acredito que quando temos uma coisa, denominada por Nietzsche como vontade de potência, somos capazes de atingirmos lugares que nunca fomos.
Mesmo que para isso seja necessário buscarmos em fontes externas toda referência necessária para criar uma estratégia e ir em busca das realizações.
É um fato que os desastres nos traumatizam, mas acrescento que os traumas também nos ensinam. E sim, acredito que a maioria de nós, se não todos, não gostaria de ter aprendido tanto, mas fazer o que com o resto de vida que sobrou depois da dor?
Desperdiçar não é uma resposta.
A gente que tá vivendo precisa viver.
Se você sentir amor, como sabe que é, se não com embasamento em experiências passadas?
Se você sente angústia, como sabe que é, se não pelo desespero em buscar resposta.
Quem é que diz (o quê) sem dizer junto disso o que outra pessoa pensou ou disse; quem é que sabe o que sabe sem antes ter vivido o que colocou na bagagem do viver como aprendizado?
Tudo o que nos movimenta nos leva a sentir. Cuidado com o que você finge ignorar, cuidado com o que você finge que sente. As experiências que fingimos também são experiências que sentimos.
Quem é que nunca dedicou atenção para aprender um assunto novo;
Quem é que dedica atenção para aprender sobre si e entender o que sente?
Somos um lugar. Temos a capacidade de ser um ótimo lugar.
Somos o lugar vivo, que se surpreende, que sente, que questiona, que pensa, que se culpa, que se perdoa, que vive!?
Somos o lugar que precisamos ser.
O que é que somos, se não terreno da nossa própria casa?
Será que o corpo é nossa casa e a todo lugar que somos nossa alma?
Quem é que seremos, se não alguém que foi, quando tivermos ido?
Qual é o tamanho da sua vontade?
Qual o tamanho do seu lugar?
Por que alguns de nós se questionam/questionaram tanto?
Talvez porque isso nos move.
Encontre o que te faz transbordar e divida com os outros o que você tem se eles precisarem.
Saiba que a originalidade das coisas é um mito, que a originalidade das pessoas será sempre um contexto que já existiu, numa versão diferente da que você reconhece.
Só queria dizer que a razão é com certeza a melhor espada que um homem pode usar para se defender do mundo, mas é sem dúvida a proteção mais frágil que pode usar contra suas próprias emoções.
Há quem diga que não tem como ser mais que um, sendo um ser humano de passagem por aqui, mas entre eu e você podemos nos despir do que dizem ser ou não possível ,e pensar sobre o tanto que podemos ser.
Da pra dizer que o que foi é estrada percorrida, que alguém deve está passando lá, na sua e na minha estrada percorrida, mas esse alguém não é eu e nem você, então dá pra ir em busca de caminhos e velocidades até que possamos atingir a conexão entre o que desejamos ser e o que estivermos sendo.
Todo mundo sabe que a palavra dor expressa algo que machuca, que a palavra amor expressa algo que queremos cuidar e temos cuidado, que o dia e a noite são opostos, e cada um importante no seu tempo.
Todos sabemos o que é que o outro quis dizer, mas quem é que consegue compreender o que é que o outro disse?
Quem consegue ler o que a boca silencia e os olhos gritam?
Repetir leva a automatização das coisas, e estamos todos repetindo o que ouvimos e percebendo o que já percebemos quando passamos pela experiência, mas quem é que sabe olhar o desconhecido e prestar atenção até que se perceba algo novo?
Quem é que consegue ler o outro sem que ele diga? As pessoas são como as águas dos rios, e quando as tocamos pela segunda ou terceira vez, já não são mais as mesmas pessoas. Se te conheci um dia e nos apresentarmos outra vez, irei te conhecer novamente. Se me conheceu um dia e eu puder me apresentar outra vez, me conhecerá novamente.
Estamos nos transformando todos os dias.
Qual o fundamento desse post? Questionar a sua e a minha vida. Ou melhor, a nossa existência.
Por hoje é isso, e se você gostou divide comigo a sua existência com um comentário sobre o assunto, tenho certeza que assim como há muito de você no meu blog deve existir um pouco de mim em você também.
@afragmentada_
Referência: Existencialismo e Psicologia https://www.amazon.com.br/dp/B0773VYV21?ref_=cm_sw_r_apann_dp_5GG2Y0E29



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